Laboratório Experimental de Ciência Cidadã, Cultura Oceânica e Tecnologia
Diários de Pesquisa - Outubro
MAIRA + Terrenas
14.10.2026
Relato da visita de campo para coleta do Glossário
Encontramos (Maira, Gabriela e Camila) Rogério Rocha, representante dos pescadores artesanais da região da Baixada Santista, no porto de Santos para fazer a travessia, pela catraia, até a praia do Góis por volta das 14h30 do dia 14 de outubro de 2026.

A travessia teve a duração de aproximadamente 10 minutos. Durante o trajeto, ouvimos relatos sobre a chegada dos portugueses e estabelecimento deles na região. Assim como a importância do conhecimento histórico da população local, sobre a região.
Logo na chegada, passamos por uma ponte, que segundo Rocha foi construída por um morador, que é responsável por outras melhorias na praia. Como a área da Praia do Góis é pequena, a comunidade se conhece e se apoia.

Andamos por todas as ruas, entendendo que hoje a área sofre com especulação imobiliária, além da falta de conhecimento sobre a necessidade de manutenção de preservação da memória cultural da região. Os jovens não se interessam pelas tradições e profissão da pesca, e acabam deixando a praia para estudar e buscar outras oportunidades.
Conversamos inicialmente com Vinicius Madureira Assumpção, um dos poucos jovens pescadores de camarão, que atualmente tem o trabalho interferido pelo El Niño.
Seguimos com uma troca descontraída com Ercilia Ramos Cuedo, cozinheira de um dos 4 bares da praia. Ela tem uma relação familiar e profunda com comunidades indígenas, e uma percepção muito crítica da história e política brasileira. Conversamos ainda com novos moradores da praia, que mesmo 2 deles sendo da baixada santista, não são nativos do Góis. Eram três frequentadores da praia, que depois de aposentados, adquiriram casas e passaram a residir por temporadas na praia.
Durante a atividade, houve uma aproximação com a população local e pudemos trocar sobre a percepção da obra. Nos trouxeram reafirmação da identificação de elementos e significados dos verbetes que já haviam sido mapeados no evento do PROEXT, em junho, além de indicações para alterações muito relevantes - que foram disponibilizadas aqui.

A visita foi encerrada em função da alta probabilidade de chuva, que impossibilitaria o retorno a Santos. Durante a travessia de retorno, o barco que estávamos teve uma falha e ficamos alguns minutos atracados no pier do Museu Histórico da Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande até que o barco de resgate chegou.
Programamos a segunda visita para primeira semana de novembro de 2026, para realizarmos: a coleta audiovisual do documentário, assim como realizar a intervenção na obra, com colagens, branquinho e tinta para a apresentação no Museu do Imigrante dia 19.